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June 28, 2021

Gestão de Lesões

Análise sobre as necessidades de competições entre atletas: a metodologia pode valorizar a carga e projetar novos treinamentos?

Os atletas profissionais estão submetidos a importantes exigências físicas e fisiológicas durante as partidas. Por isso, encontramos na literatura científica diferentes pesquisas como o objetivo de avaliar essas respostas tão diferentes sobre a variação de cargas de trabalho nos atletas durante os campeonatos, como são seus níveis de lactato, frequência cardíaca e esforços realizados. 

Nos últimos anos, graças aos avanços tecnológicos e ao ajuste do desenvolvimento de sistemas de posicionamento satelital, ou seja, GPS, os profissionais técnicos que trabalham com as equipes de futebol podem ver detalhadamente todas essas necessidades físicas ou mecânicas que cada um deles precisa. Esses sistemas e os acelerômetros contribuem com informações relevantes sobre diferentes distâncias percorridas ou os esforços realizados em determinadas velocidades. As informações coletadas podem indicar precisamente os índices de “dificuldades” de um jogo.

São muitas as pesquisas que têm como objetivo analisar, através da tecnologia oferecida pelo GPS as necessidades que atendem às exigências de cada um dos atletas durante as partidas. Tais pesquisas certamente contribuirão para compreender todas as necessidades que eles têm durante os campeonatos. Entretanto, além disso, todas as informações que normalmente usamos para projetar e preparar programas de treinamentos que simulem essas condições reais. Assim, a maioria das pesquisas tem como objetivo verificar o que em inglês é denominado como “worst-case scenario” que em português significa “piores momentos”, ou seja, em momentos que demonstrem elevados índices de exigência física durante períodos de grande atividade que os atletas passam. 

Existem diversos métodos para determinar os piores momentos possíveis, mas um dos mais empregados atualmente é o registro das necessidades físicas dos atletas durante as partidas, ou seja, distâncias percorridas, velocidade destas distâncias etc., e verificar com exatidão entre 3-5 minutos mais precisamente essas informações para então encontrar o segmento do jogo que apresenta maiores problemas ou limitações. Existem muitas controvérsias entorno da validade deste método e em geral sobre o conceito de piores momentos, pois ele está baseado no tipo de atleta (atacantes, centroavantes etc.) e também em muitas outras variáveis como tempo de jogo, necessidades em outros momentos de uma partida que não podemos considerar como “piores momentos”, pois os atletas podem ser reservas ou não. Os reservas podem realizar atividades intensas, mas ao saberem que não serão escalados e com isso comprometer a fidelidade dos resultados.

Diante da controvérsia, uma pesquisa recente publicada pelo Journal of Sports Sciences com resultados publicados por pesquisadores como Andrew Novak, Franco Impellizzeri e Allan McCall informam que o uso do GPS usados por 21 atletas da Premier League durante 33 partidas.1Os autores determinaram que esses piores momentos são período que variam 3 minutos, no qual os atletas percorrem distância média com mais intensidade, ou seja, superior a 5,5 m/se e sprints superiores a 7,0 m/s. Os autores também levaram em consideração diferentes variáveis como a posição do atleta, as atividades totais das partidas e excluem segmentos, considerando esses piores momentos, tempo de jogo até que o técnico perceba a necessidade de substituição deste atleta. 

As análises realizadas pelos pesquisadores demonstram que os piores momentos apresentam uma variação muito grande entre os atletas, sempre que esta variação pode supere 6% para distância totais, 25% para distâncias percorridas com alta intensidade e 46% em sprints. Além disso, os autores também destacam que os piores momentos são dependentes não só da posição do atleta, mas também do tempo de jogo e das necessidades do grupo como um todo. Podemos citar, por exemplo, os centroavantes que percorrem maiores distâncias. Então, podemos afirmar que os piores momentos levam em consideração distância totais percorridas ou distâncias percorridas com alta intensidade e podem acontecer no início do primeiro tempo ou durante o segundo tempo, caso não exista substituição dos atletas. Eles normalmente são detectados no final da metade de cada tempo de um jogo. 

Os resultados reforçam a ideia de que os piores momentos de um atleta não devem ser usados de forma geral. São informações exclusivas e pessoais. Inclusive um mesmo atleta pode em um dia percorrer distâncias dentro de campo completamente diferentes à de outros jogos e até mesmo dentro do mesmo jogo, dependendo de vários fatores. Por isso, que no momento de projetar e programar metodologias de treinamentos que reproduzam um jogo, não podemos ou não recomendamos usar tais informações para aplicar atividades comuns entre o grupo. Assim podemos afirmar que os piores momentos acontecem no início dos jogos e também no final deles, caso queiram aplicar essas informações. Recomendamos uma observação dos 3 minutos iniciais e também tudo o que acontece antes deles, por exemplo, realizar exercícios de sprint no final de um treino que tenha elevados índices de exigência. Além disso, também é necessário levar em consideração as informações do GPS, tais como distâncias, quantidade de embates e aspectos técnico-táticos que podem dar melhores resultados ao momento de definir esses momentos mais limitados. Também é importante levar em consideração as pesquisas que demonstram que aplicar os piores momentos durante treinamentos é uma estratégia ótima, pois induz os atletas a tais necessidades, pois muitas vezes durante os treinamentos mais leves podem representar a necessidade de adaptações repentinas. Em treinamentos que se exigem dos atletas limites que os induzem a ter piores momentos, observamos diferentes variáveis como distâncias percorridas e prováveis atletas despreparados para situações como essas, pois não resistem a cargas mais elevadas e complexas. Na figura 1 podemos observar alguns exemplos de variáveis que afetam as necessidades associadas aos piores momentos 

Figura 1: Exemplos de variáveis que podem ser medidas e que sejam potencialmente associadas ao (WCS). Figura adaptada da Novak et al.

Conclusões

As verificações realizadas se tornaram bastante populares nos últimos anos, graças aos avanços tecnológicos dos sistemas de GPS. Muitos técnicos e preparadores físicos utilizam essas informações para programar seus treinamentos para simularem as necessidades que podem ser encontradas pelos atletas durante determinadas partidas. Entretanto, as pesquisas demonstraram que em determinados momentos podemos ser superficiais e não reproduzirmos realmente a complexidade e a amplitude das necessidades que todos os atletas precisam se submeter durante um jogo. Por isso, que os piores momentos devem ser analisados como complexos, variáveis e personalizados que contenham informações sobre atletas, tempo de jogo, necessidades físicas durante todo o tempo de jogo e condições técnicos-táticas. 

 

Pedro L. Valenzuela

 

Referências

  1. Novak AR, Impellizzeri FM, Trivedi A, Coutts AJ, McCall A. Analysis of the worst-case scenarios in an elite football team: Towards a better understanding and application. J Sports Sci. 2021;00(00):1-10. doi:10.1080/02640414.2021.1902138

 

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