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27 January, 2021

Análise do desempenho físico no basquetebol O enfoque tradicional é suficiente para analisar as demandas físicas?

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Para padronizar e prescrever treinamentos durante o período de temporadas é necessário conhecer, com maior precisão quais são as necessidades físicas dos atletas durante uma temporada. Isso pode colaborar com uma programação mais precisa para atividades que preparem os atletas e que eles suportem tais pressões e situações reais de jogo. Para isso, programar corretamente um treinamento em função de cada disciplina esportiva é necessário alguns requisitos importantes para melhorar o desempenho e ao mesmo tempo diminuir riscos com possíveis lesões.

A tecnologia, neste caso, contribui com diferentes possibilidades para quantificar o tempo real com as variáveis relacionadas às necessidades físicas dos atletas durante o período de competições. O avanço tecnológico dos dispositivos de localização por satélite nos últimos anos modificou a forma de como são usados e os clubes profissionais demandam mais uso, principalmente o sistema de posicionamento global, ou seja, o GPS que permite verificar a uma maior gama de parâmetros relacionados com a máxima carga que os atletas necessitam ao jogarem ao ar livre. Por outro lado, o sistema de posicionamento local ou LPS, tecnologia desconhecida e pouco estudada que se comparada com o GPS permite verificar o posicionamento e as variações de desempenho dos atletas de forma mais precisa e confiável nos esportes realizados em pistas cobertas como é o caso do basquete, handebol e futsal.1 Desta forma, os sistemas contribuem com os técnicos e com os preparadores físicos, ao oferecer maiores quantidades de informações para que eles verifiquem e contribuam no planejamento das necessidades requeridas durante jogos e treinamentos. Entretanto, a tecnologia é somente um instrumento que nos informa, de maneira automática, sobre os parâmetros necessários para quantificar e projetar sessões de treinamentos. A tecnologia deve sim ir de mãos dada com os conhecimentos de como, que e por que mediremos todas essas informações. A metodologia de verificação das informações é o que faz a diferença e que sejam importantes e válidas para a equipe técnica ou somente ofereça dados sobre as variáveis que, de outra forma, não teríamos sobre os benefícios positivos do desempenho sem uma análise e uma correta interpretação.

No basquete, por exemplo, os atletas realizam atividades que necessitam altos níveis de exigências neuromusculares e metabólicas em um sistema dinâmico e complexo de jogo, metodologias tradicionais as quais avaliam as necessidades físicas dos atletas que podem até mesmo subestimar fases do jogo que requerem de mais exigências. Este enfoque está baseado no cálculo médio de uma série de informações que pode colaborar com a preparação física dos atletas caso não tivéssemos conhecimentos sobre as fases do jogo que tenham maiores exigências. Isso afetará o desempenho e exporá os atletas a maiores riscos de se lesionarem.

Com o objetivo de estudar o impacto real das fases com maiores necessidades de jogo, denominadas como cenários de máxima exigência, Jairo Vázquez-Gerrero e Franc Garcia, membros do Departamento de Desempenho do FC Barcelona, recentemente publicaram os resultados sobre uma pesquisa pioneira na qual foram avaliadas as necessidades físicas máximas de 21 atletas de basquetebol profissional durante um jogo amistoso. Também foi empregada metodologias baseadas em cálculos médios móveis2 (rolling averages). Para chegar aos resultados eles utilizaram o sistema de posicionamento local baseado em tecnologia de banda ultra larga (Realtrack Systems, WIMU PRO) e os cálculos médios sobre cada parâmetro de interesse relacionado com as atividades físicas, ou seja, corrida de velocidade, distância percorrida com acelerações e desacelerações bruscas, quantidade de ações realizadas durante uma corrida de alta velocidade e desacelerações bruscas, em um período de 60 segundos. Os valores máximos registrados foram comparados com os valores médios tradicionais.

Os estudos apresentaram diferenças entre 103,4% e 848,4% entre a metodologia tradicional média, e máxima exigência em todas as necessidades físicas. Por exemplo, de acordo com a metodologia de média móvel os atletas percorreram uma distância total de 141,3 m/min., e uma distância em alta velocidade de 25,4 m/min. Já com a metodologia tradicional percorreram 66,3 m/min., e 3,2 m/min. respectivamente. Essas informações representam uma diferença de 113,1% na distância total por minuto e de 686,4% em altas velocidades por minuto. Se observamos ações de aceleração e desaceleração em altas velocidades, os atletas realizaram 8,8 ações de aceleração e 8,2 de desaceleração em cenários de máxima exigência se compararmos com as ações registradas pela metodologia tradicional, ou seja, 2,5 e 2,1 respectivamente. Isso sugere um aumento de 252% na quantidade de acelerações de alta intensidade e 290,5% em desacelerações em altas velocidades que foram registradas pela metodologia de médias móveis. Os resultados indicam que a metodologia tradicional de médias subestima muito as necessidades físicas máximas dos atletas durante um jogo de basquete.

Portanto, de acordo com os autores “o foco tradicional deveria ser complementar em relação à verificação dos cenários de máxima exigência para que se tenha uma melhor compreensão sobre as necessidades físicas dos atletas durante os jogos de basquete. Estes resultados podem contribuir com técnicos e preparadores físicos no processo de melhorias na projeção e prescrição de treinamentos baseados na quantificação de carga, pois permitem projeções de intervalos mais eficazes durante o treinamento e a recuperação”. Desta forma podemos demonstrar que a tecnologia sozinha não soluciona problemas, mas ao ser bem interpretada e usada pela equipe pode oferecer melhores e informações mais precisas as quais possibilitam melhores alternativas para possíveis soluções.

 

Adrián Castillo

 

Referências:

  1. Serpiello, F. R. et al. Validity of an ultra-wideband local positioning system to measure locomotion in indoor sports. J. Sports Sci. 36, 1727–1733 (2018).
  2. Vázquez-Guerrero, J. & Garcia, F. Is it enough to use the traditional approach based on average values for basketball physical performance analysis? Eur. J. Sport Sci. 1–8 (2020) doi:10.1080/17461391.2020.1838618.

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