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25 December, 2020

Alterações nas reservas de glicogênio muscular durante uma partida de futebol

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O glicogênio muscular tem um papel fundamental para o rendimento esportivo de um atleta.1 Durante as atividades físicas, especialmente quando ela são de alta intensidade (>80% do consumo máximo de oxigênio), o metabolismo celular têm especial atenção, pois supomos que a principal fonte de energia seja a fosfocreatina no esportes como o futebol, esporte que requer de constantes sprints. Além disso, o glicogênio muscular demonstrou ser fundamental nos diferentes processos de contração muscular.2 Por exemplo, a disponibilidade do glicogênio estar relacionado com a capacidade do retículo sarcoplasmático para a liberação de cálcio. Pois com esforços intensos de uma hora, ou seja, se comparamos com uma competição de esqui, demonstrou reduzir os níveis de glicogênio muscular nos braços em cerca de 69%, ou seja, acreditamos que pode existir uma redução da capacidade do retículo sarcoplasmático na liberação de cálcio em 15%.3 Em função da elevada importância do cálcio intracelular em processos de contração muscular, essas informações demonstram como a redução das reservas de glicogênio pode induzir à fadiga.

Diante de um contexto esclarecedor e com o objetivo de planejar adequadamente as estratégias nutricionais sejam aplicadas antes, durante ou depois de uma partida, é importante saber exatamente quais são seus efeitos nas reservas de glicogênio. Em 2006, em um estudo realizado e liderado por Jens Bangsbo e Peter Krustup foram analisadas as reservas de glicogênio muscular em atletas de futebol (4ª da divisão dinamarquesa) antes e depois de uma partida, ao realizarem medições e biópsias musculares do vaso lateral.4 Os resultados demonstraram que os níveis de glicogênio diminuíram em 42% durante uma partida e 47% das fibras musculares as quais ficaram totalmente sem reserva. Além disso, a capacidade de um sprint diminui cerca de 2,8% na segunda metade do jogo.4

Por outro lado, em um recente estudo desenvolvido e liderado por pesquisadores espanhóis como os Dr. Íñigo San Millán e Julio Calleja foram analisadas alterações nas reservas de glicogênio muscular durante uma partida de futebol de forma indireta.5 Para isso, utilizaram o sistema denominado de MuscleSound, o qual estimula as reservas de glicogênio muscular de forma não invasiva, ou seja, sem biópsias, através de imagens mais precisas como a ecografia de alta frequência. Os índices de glicogênio auferidos através deste sistema demonstraram apresentar uma alta correlação (r=0,93-0,94) com os índices verificados na biópsia muscular realizada em atletas, sendo capaz de determinar alterações com somente uma sessão de exercícios (r=0,81 para as alterações dos índices de glicogênio com uma sessão de atividade intensa).6 Portanto, os autores utilizaram este sistema como metodologia de avaliação para atletas de futebol da Major League Soccer dos Estados Unidos antes e depois de uma partida.5 Os resultados demonstraram que, mesmo para os atletas que consumam maiores quantidades de carboidratos antes, em torno de 40 gramas depois do aquecimento físico e durante a partida, cerca de 65 gramas de carboidratos durante o intervalo, o índice glicogênio muscular teve uma redução média de 20% (com reduções que chegaram de 6 a 45%). A única certeza de que o estudo nos apresenta é que as maiores perdas aconteceram com atacantes e centroavantes se comparados com zagueiros e goleiros que praticamente não tiveram alteração nos índices (6%).

Estes resultados ressaltam a importância de um correto e apropriado consumo de carboidratos seja antes, durante ou depois de uma partida. As reservas de glicogênio muscular requerem restabelecimento antes de um novo desgaste e, por isso é importante aumentar o consumo de carboidratos pelos menos um dia antes da partida e para isso tentam minimizar a sua perda durante a partida e promover uma recuperação rápida e eficiente. Além de todas essas informações, também ficaram demonstrados que a grande diversidade na equipe também sofreu alterações de glicogênio entre os atletas, o que pode estruturar a personalização das estratégias nutricionais, dependendo de fatores como a posição dentro de campo e o estilo de jogo, por exemplo, com maior consumo para os atacantes e centroavantes, pois realizam maiores esforços com alta intensidade.

Em resumo, as reservas de glicogênio muscular têm um papel fundamental no desempenho de atletas do futebol, pois suas reservas diminuem de forma importante, ou seja, entre 20 e 40% em média durante cada partida. Esta redução pode levar a importantes consequências tanto para o desempenho em especial para o segundo tempo de jogo. Por isso é fundamental que exista um controle de estratégias mais específico para antes, durante e depois de uma partida.

 

Pedro L. Valenzuela

 

Referências

  1. Mata F, Valenzuela PL, Gimenez J, et al. Carbohydrate Availability and Physical Performance: Physiological Overview and Practical Recommendations. Nutrients. 2019;11(5):1084. doi:10.3390/nu11051084
  2. Ørtenblad N, Westerblad H, Nielsen J. Muscle glycogen stores and fatigue. J Physiol. 2013;591(18):4405-4413. doi:10.1113/jphysiol.2013.251629
  3. ørtenblad N, Nielsen J, Saltin B, Holmberg HC. Role of glycogen availability in sarcoplasmic reticulum Ca2+ kinetics in human skeletal muscle. J Physiol. 2011;589(3):711-725. doi:10.1113/jphysiol.2010.195982
  4. Krustrup P, Mohr M, Steensberg A, Bencke J, Klær M, Bangsbo J. Muscle and blood metabolites during a soccer game: Implications for sprint performance. Med Sci Sports Exerc. 2006;38(6):1165-1174. doi:10.1249/01.mss.0000222845.89262.cd
  5. San-Millán I, Hill JC, Calleja-González J. Indirect assessment of skeletal muscle glycogen content in professional soccer players before and after a match through a non-invasive ultrasound technology. Nutrients. 2020;12(4). doi:10.3390/nu12040971
  6. Hill JC, Millán IS. Validation of musculoskeletal ultrasound to assess and quantify muscle glycogen content. A novel approach. Phys Sportsmed. 2014;42(3):45-52. doi:10.3810/psm.2014.09.2075

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