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October 20, 2021

Futebol

A proposta de Paco Seirul-lo para projetar uma sessão de treinamento nos esportes coletivos

By Carlos Lago Peñas.

A sessão de treino é o momento em que ocorre a troca de informação entre o treinador e o jogador1-4. Existem dois elementos que devem estar sempre presentes:

  •  Reflexão, que deve permitir verificar se existe uma relação entre o que foi proposto e o que aconteceu, e que deve servir para fazer as seguintes propostas;
  • Observação, tanto do próprio comportamento quanto dos colegas e do treinador.

O planejamento da sessão deve partir da escolha feita pelo treinador do objetivo a ser alcançado pelos jogadores. Trata-se de fazer a estrutura prática da sessão, propondo exercícios que gerem condições de aprendizagem para o auto aperfeiçoamento dos atletas. Uma vez propostas as atividades, os jogadores devem realizar a execução prática para assim obter as experiências motoras desejadas pelo treinador. A seguir, a própria observação, a dos colegas e do treinador, e a reflexão conjunta devem ajudar a avaliar se o objetivo da sessão foi alcançado.

O treinamento nos esportes coletivos não é apenas escolher um objetivo e colocá-lo em prática. Feedback, observação e reflexão são elementos muito relevantes para a melhora dos jogadores; eles têm que ser o centro da sessão.

O treinamento deve cumprir algumas condições para conseguir melhorar o jogador:

  • O atleta consegue identificar e reconhecer claramente o único objetivo da sessão.
  • O objetivo torna-se evidente ao lhe adicionar um certo significado. A mesma informação pode ter dois significados diferentes para dois jogadores. É necessário identificar como cada atleta interpreta aquilo que o treinador procura exercitar.
  • Cria-se um ambiente de comunicação e interação durante a prática. Quanto mais comunicação e interação, maior o aprendizado.
  • A auto-observação ocorre: a avaliação pessoal (ou em grupo) das reações produzidas pela própria performance é essencial para atingir o objetivo da sessão.
  • É necessário conseguir uma conexão da prática com o meio social e cultural dos jogadores.

Cada jornada de treinamento devia ter três partes fundamentais: ativação (ou aquecimento na terminologia mais tradicional), atividade (ou parte central) e teorização (ou esfriamento).

A ativação é o primeiro contacto do jogador com o treinador, e com o ambiente onde irá agir. Esta etapa é constituída por duas subfases que não se realizam sucessivamente, mas sim alternadas: a informação e os exercícios de ativação. O propósito principal da subfase informativa é que o jogador conheça o objetivo e se sinta atraído por ele, que goste dele e queira alcançá-lo. O treinador deve ativar o atleta, sugerir o objetivo e informar que tipo de treino vai ser feito em consequência. A partir desse objetivo, deve ser identificado aquilo que se deseja alcançar e desenvolver uma prática para focar o interesse. Também ajuda para desenvolver e conhecer o clima de interação do grupo: o que é que vamos fazer, onde vamos ficar, com qual material, etc. Os exercícios de ativação geram o vínculo do objetivo com a prática. Eles são uma primeira experiência de como atingir o objetivo. Procura-se alcançar várias coisas: estimular as relações interpessoais ou intergrupais, despertar o interesse do jogador pelo objetivo da sessão, ativar preferencialmente os sistemas do atleta que serão exigidos nessa sessão, e reconhecer o espaço. A metodologia nunca é a mesma. Depende da observação do treinador e do ânimo dos jogadores.

A fase de atividade apresenta as tarefas/experiências que serão colocadas em prática para atingir o objetivo desejado. Esta prática não consiste apenas na execução física do jogador, é preciso também levar em consideração a comunicação que se estabelece entre o treinador e os jogadores e entre eles. Basicamente, a atividade consiste na realização do objetivo que já foi estimulado na fase de ativação. Cada uma das tarefas deve conter vários momentos:

  • Momento 1: exposição da tarefa.
  • Momento 2: tempo de prática.
  • Momento 3: reflexão.

Graças a essa metodologia, o jogador acaba sendo o responsável pelo seu aprendizado. O treinador é quem propõe as condições das tarefas, mas é o atleta que deve concretizar a sua execução e reflexão na procura do seu autoaperfeiçoamento. A fase de reflexão da tarefa deve ajudar a compreender se o objetivo foi alcançado, os motivos pelos quais foi atingido -ou não- e a proposta de variantes no exercício ou na forma de agir.

A teorização deve ser feita quando a sessão terminar. O objetivo desta fase é finalmente atingir o objetivo da sessão. Não é o objetivo sugerido pelo treinador, mas o significado que esse objetivo tem para o jogador. Isto supõe uma certa otimização dos sistemas do atleta. O treinador pode saber que o objetivo foi alcançado com a comunicação que o jogador faz. Não se trata apenas de quantificar o que aconteceu, a percepção subjetiva dos atletas também é muito relevante.

Com jogadores de elite e com uma cultura esportiva elevada, ao longo da sessão trata-se de que eles possam observar + otimizar + ver a necessidade. Se os jogadores são capazes de identificar possíveis aspectos a serem melhorados, qual atividade deve ser reforçada e como se projeta o comportamento exercitado, então o objetivo da sessão foi alcançado. A comunicação do treinador deve deixar espaço para os aportes dos atletas. Com jogadores em categorias iniciais, o treinador deve orientar muito mais a fase de reflexão e ajudá-los a avaliar seu próprio comportamento e o de seus companheiros e relacioná-lo com o objetivo da sessão.

Nas metodologias mais tradicionais, o treinador utiliza uma metodologia mais hierárquica onde quase não há espaço para o jogador intervir e contribuir com a sua visão pessoal do que acontece na sessão. A execução da tarefa é praticamente o único meio pelo qual o objetivo da sessão pode ser alcançado. Em uma metodologia que envolva o jogador, o treinador deve propor condições de prática que ajudem o atleta a se aperfeiçoar e refletir sobre a prática. O futebol e os esportes coletivos são mutáveis ​​demais para jogar sem entender por quê as coisas acontecem e como podem ser alteradas.

Referências:

1 Seirul.lo, F. (2009). Una línea de trabajo distinta. Revista de Entrenamiento Deportivo, 23(4): 13-18.

2 Seirul.lo, F. (1998): Valores educativos del deporte en D. Blázquez (ed): La iniciación deportiva y el deporte escolar (2ª edición), pp. 61-75, Barcelona: INDE.

3 Seirul.lo, F. (2010). Estructura sociafectiva. Documento INEFC – Barcelona. Obtido de: http://www.motricidadhumana.com/estructura_socioafectiva_doc_seirul_lo_Outline_drn.pdf

4 Lago Peñas, C. y Seirul.lo, F. (2021). La dirección del entrenamiento y el partido en el Fútbol y los Deportes de Equipo. Próxima publicación.

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