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September 8, 2021

Gestão de Lesões

A prevenção e recuperação de lesões nos esportes coletivos: uma pirâmide de fatores a serem levados em conta.

By Carlos Lago Peñas.

Existem inúmeras variáveis que influenciam na frequência de lesões nos esportes coletivos, e muitas delas estão ligadas entre si. Para ter sucesso na diminuição das taxas de lesões é preciso conhecer profundamente cada um dos potenciais fatores de risco isoladamente, mas ao mesmo tempo é importante saber das conexões entre eles. Na verdade, é comum que, a cada vez que uma lesão aparece, existem muitos fatores interligados que fazem difícil a análise de cada situação.  

Uma publicação recente1 propôs uma pirâmide de fatores (de mais relevantes a menos), que podem ajudar na compreensão do porquê das lesões e quais medidas podem ser desenvolvidas pelos clubes para evitá-las. A pirâmide apresenta 7 níveis. 

O primeiro nível da pirâmide é a contratação dos jogadores. O fato de incorporar ou manter atletas incapazes de tolerar o estresse da competição ou o estilo de jogo que a equipe tem, faz surgir dificuldades para manter uma frequência de lesões regularmente baixa. Um dos aspectos que melhor antecipa o surgimento de futuras lesões é ter sofrido anteriormente na mesma região2. Com certeza, um bom programa de prevenção pode ajudar a reduzir o risco, mas ele vai continuar existindo. É preciso analisar detidamente o histórico clínico de cada jogador, entendendo que, por causa da sua idade e lesões prévias, é muito provável que elas sejam recorrentes. Também o conhecimento de aspectos técnicos e táticos tem relevância neste nível. Trata-se de analisar como foi a performance do esportista no passado, como ele foi utilizado nos clubes anteriores, e fazer a comparação com o novo contexto atual do qual vai fazer parte. Isto pode gerar um efeito modulador no risco de sofrer uma lesão. A incorporação de um novo jogador também pode afetar o desempenho dos outros ou da equipe em conjunto. A cultura esportiva da equipe também é um fator ligado às lesões.  

O segundo nível da pirâmide é o controle de carga. Cada jogador tem um máximo de carga que pode tolerar. Ultrapassar aquele limite aumenta as possibilidades de lesões. O corpo técnico deve identificar esse limite em cada jogador e comunicar a informação para o treinador e assim ser levada em conta no treino. O critério a ser utilizado na preparação é sugerir um incremento progressivo da carga no treinamento até adaptar os jogadores ao nível superior exigido na competição, evitando exposições a níveis de carga agressivos no processo3

O terceiro nível consiste em desenvolver programas de força e adaptação que produzem uma melhoria na capacidade atlética dos jogadores. Estamos falando do Treinamento Coadjuvante (TC)4,5. As elevadíssimas exigências a que se submetem os esportistas de alto desempenho, fazem com que seja necessário desenvolver paralelamente um treinamento facilitador dirigido a alcançar as melhores condições para se submeter às cargas que otimizam o desempenho. Uma formação individual limitada dos jogadores pode ser um obstáculo para atingir o estado ótimo para competir. A formação do jogador é tão importante como a da equipe. 

O quarto nível se conforma pela comprovação de que os jogadores são suficientemente fortes e capazes de utilizar as suas aptidões no jogo de um jeito seguro e eficiente. Trata-se de fortalecer a motricidade e as habilidades de movimento como uma estratégia para diminuir a probabilidade de sofrer uma lesão.  

O quinto nível tem a ver com a necessidade de contar com planos de prevenção de lesões bem elaborados. Evidência consistente mostra que um bom plano de prevenção de lesões pode reduzir um 30% do tempo que o jogador perde em caso de sofrer uma lesão evitável6. Talvez um dos maiores benefícios deste tipo de planos seja que eles favorecem o compromisso dos jogadores, ajudando a fazer melhor qualquer exercício do programa de formação.

O sexto nível é a avaliação da lesão e a recuperação. Analisar em que nível pode agir um jogador com uma lesão, ou como ele deve progredir para voltar a jogar posteriormente, são fatores fundamentais. A boa gestão destas fases tem um forte impacto na prevenção de lesões futuras. É preciso respeitar os tempos fisiológicos de recuperação, mas também levar em conta outros aspectos como a cultura da equipe, o papel do jogador no grupo, e o jeito de treinar dele para decidir sobre a volta à competição e o nível de risco considerado aceitável.

O sétimo nível é a sorte. Na maioria dos aspectos da nossa vida, ninguém pode ter certeza de manter tudo sob controle. As lesões deveriam ser classificadas num continuum de “completamente evitável” a “absolutamente impossível de evitar”, embora a realidade mostra que nenhuma lesão se localiza nesses extremos.

Referências:

1 Coles, P.A. (2018) an injury prevention pyramid for elite sports teams. British Journal of Sports Medicine, 52(15).

 2 Quarrie, K.L., Alsop, J.C., Waller AE, et al. (2001). The New Zealand rugby injury and performance project. VI. A prospective cohort study of risk factors for injury in rugby union football. British Journal of Sports Medicine, 35:157–166.

3 Hulin, B.T., Gabbett, T.J., Lawson, D.W., et al. (2016). The acute:chronic workload ratio predicts injury: high chronic workload may decrease injury risk in elite rugby league players. British Journal of Sports Medicine, 50: 231–236.

4 Seirul·lo Vargs, F. (1986). Entrenamiento coadyuvante. Apunts. Medicina de l’Esport, 23, 38-41. 

5 Gómez, A., Roqueta, E., Tarragó, J. R., Seirul·lo, F., & Cos, F. (2019). Training in Team Sports: Coadjuvant Training in the FCB. Apunts. Educación Física y Deportes, 138, 13-25. doi:10.5672/apunts.2014-0983.

6 Silvers-Granelli, H., Mandelbaum, B., Adeniji, O., et al. (2015). Efficacy of the FIFA 11+ injury prevention program in the collegiate male soccer player. American Journal of Sports Medicine, 43: 2628–3267

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