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7 February, 2020

A METODOLOGIA DE TREINAMENTO DO FC BARCELONA. O TREINAMENTO COADJUVANTE

Rendimento Desportivo

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Há quase 25 anos, Paco Seirul justificou a necessidade do esporte de elite para a adaptação dos atletas às altas cargas de treinamento, que deveriam ser complementadas com uma preparação em paralelo, melhorando assim, suas condições físicas e técnicas.1 Definimos isso como treinamento coadjuvante.

 

Em recente publicação,2 alguns membros do corpo técnico do F.C. Barcelona, tentaram reorganizar a proposta inicial de Seirul, onde, além do Treinamento otimizado (TO), que tem por objetivo preparar os atletas para os campeonatos, existiria uma preparação complementar onde o treinador pudesse preparar o atleta para os treinamentos. Tratando-se do Treinamento coadjuvante (TC). As altas exigências às quais os atletas de elite são submetidos, os obrigam a desenvolver paralelamente treinamentos facilitadores que possam trazer-lhes melhores condições quando submetidos às cargas que otimizam seu rendimento. Uma limitada preparação individual dos atletas poder ser um obstáculo para alcançar um melhor estado físico em um campeonato. Fazemos referências às condições físicas coletivas e às condições físicas individuais nos esportes de equipe3, ou podemos dizer cargas coletivas e individuais, caso prefiram. A melhor condição física de um atleta acontece com a auto otimização contínua de todos os sistemas que compõem o atleta em cada momento de sua vida esportiva, manifestando-se através de sucessivas e ininterruptas melhorias em seu desempenho no núcleo da equipe. O melhor condicionamento físico em relação aos colegas da equipe só será alcançado se houver homogeneidade no condicionamento físico individual de cada componente da equipe. Isso permite interações específicas necessárias entre os atletas, assegurando a realização de um jogo coletivo. É possível que as condições físicas da equipe não sejam as ideais, mas deverão ser suficientes para que haja uma colaboração mútua em um jogo coletivo.

 

Conforme os autores do artigo, o TC pode ser classificado em quatro segmentos:

 

1. O TC preventivo, dedicado ao trabalho sobre os fatores que podem representar riscos de lesões ao atleta.

2. O TC de restauração, que auxilia na recuperação do atleta depois dos treinamentos e antes de cada campeonato.

3. O TC estrutural, que está relacionado com as alterações morfológicas dos atletas (estrutura física, hipertrofia e metabolismo), e

3. O TC de qualidades específicas, onde se estabelece que, as manifestações de deslocamento como o salto, a luta e as atividades com a bola estejam em ótimos níveis.

 

Para isso, o trabalho é organizado em diferentes etapas de aproximação, em função da similaridade entre os exercícios propostos e a motricidade específica do campeonato: do trabalho generalizado ao direcionado, do específico ao campeonato.4 Os últimos níveis não fazem parte do TC, pois estão classificados no TO.

 

Em qualquer caso, se quisermos ser mais eficientes nas propostas de treinamento, deveremos levar em consideração alguns princípios. A proposta original de Seirul não está diretamente associada com a escolha dos exercícios ou formas concretas de treinamento, mas sim com o entendimento de que homens e mulheres esportistas possuem uma série de estruturas hiper-complexas que se relacionam entre si de maneira interativa e retroativa. O treinador propõe tarefas e situações que contem com o comprometimento o atleta e permitem que ele se aprimore automaticamente em busca de um melhor entendimento, adaptando assim suas capacidades para resolver a situação. O aprimoramento nos treinamentos dos atletas (tanto no TC como no TO) reconhece como sendo condições nas quais se realizam atividades que permitem ou não o seu aprimoramento.4,5 Não existe preparação física ou treinamento técnico para isso. Há uma melhora do atleta, suas estruturas são despertadas ao mesmo tempo, mas dependendo do objetivo concreto, deve-se estimular preferencialmente as estruturas cognitiva, coordenativa, condicional ou socioafetiva. Por exemplo: é bem diferente pedir a um atleta que faça supino em determinadas condições (quantidade de peso, repetições, pausas…), assim como, solicitar também que faça um retorno com a barra até a metade do exercício ou que faça uma flexão-extensão do pulso. O suporte condicional da atividade foi alterado por um estímulo coordenado adicional. Isso é precisamente o que produz um desempenho tão comum quanto um supino à força que um atleta de handebol precisa jogar quando tem que fingir, jogar de maneira inesperada ou tomar decisões no último momento. Os preparadores devem estar atentos a análise e compreensão da motricidade específica de cada esporte e saber como estimular cada estrutura do atleta. Falamos de compreender, por exemplo, como a associação de movimentos ou variações espaciais/temporais de desempenho alteram o apoio na coordenação da atividade ou então como se identificam os estímulos próprios, do entorno e do desenvolvimento de estratégias de decisão, autocontrole e autoavaliação, permitindo que melhor se trabalhe com o suporte cognitivo nas atividades. Agora trata-se de vincular a proposta aos anseios, motivações ou às próprias limitações de cada atleta. Além disso, é prudente não esquecer que o aprimoramento de cada estrutura do atleta influi na demais estruturas. Não se pode melhorar um atleta trabalhando isoladamente seu potencial.

 

A intervenção no treinamento do professor Seirul não se concentra tanto em propostas de métodos e nem conteúdos, mas sim na definição de um modelo que facilite a interação de todos os componentes da ação esportiva e que permita não apenas o aprendizado motor, mas também adquirir outros fatores implícitos nos desempenhos pessoais e individuais, como habilidades intelectuais específicas. A medição do rendimento em qualquer atividade constitui apenas um indicativo limitado do que realmente o atleta está sujeito.6

 

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Seirul·lo Vargas, F. (1986). Entrenamiento coadyuvante. Apunts. Medicina de l’Esport, 23, 38-41.

2 Gómez, A., Roqueta, E., Tarragó, J. R., Seirul·lo, F., & Cos, F. (2019). Training in Team Sports: Coadjuvant Training in the FCB. Apunts. Educación Física y Deportes, 138, 13-25. doi:10.5672/apunts.2014-0983.es.(2019/4).138.01.

3Seirul·lo Vargas, F. (1998). Preparación física en deportes de equipo. Curso de Postgrado en Preparación Física. La Coruña. Manuscrit inèdit

4 Seirul·lo Vargas, F. (1993). Preparación física aplicada a los deportes de equipo: balonmano. Cuadernos Técnico Pedagógicos de INEF de Galicia nº 7.

5 Seirul-lo Vargas, F. (1976). Hacia una sinergética del entrenamiento. Apunts. Medicina de l’Esport, 13, 93-94.

6 Durand, (M. (1988). El niño y el deporte. Barcelona: Paidós.

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