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July 1, 2022

Saúde e Bem-Estar
Rendimento Desportivo

A importância do descanso no rendimento de jovens jogadores de futebol

By BIHub Team.

Estudar de manhã, treinar à tarde. Da hora em que o despertador toca até a hora de dormir, o dia a dia de um jovem atleta é marcado por uma rotina rígida que ocupa praticamente todas as horas de trabalho do seu dia. Esses altos níveis de atividade podem levar a uma tendência a dormir tarde, o que, somado à necessidade de acordar cedo para ir ao centro de estudos no dia seguinte, tem como consequência imediata uma redução considerável das horas de sono. E é que, de acordo com estudos de Halson e Juliff (2017) e Watson (2017), os jovens atletas tendem a desfrutar de uma qualidade e quantidade de sono inferior em comparação com a população em geral.

Apesar de ser um dos pilares do rendimento esportivo, muitos jovens atletas apresentam dificuldades para conciliar o sono e, portanto, descansar adequadamente. Inevitavelmente, essa falta de descanso tem um impacto negativo no rendimento acadêmico e esportivo. Vários aspectos fundamentais são afetados, como o desempenho físico e neurocognitivo, a incidência de lesões ou a regulação do humor. Aspectos que, conforme demonstrado cientificamente (Halson e Juliff, 2017; Malhotra, 2017), experimentam uma melhora substancial com o descanso adequado.

Serviço de Atendimento Integral ao Esportista de La Masia, Ana Merayo, liderou um estudo pioneiro(leia a referência abaixo)
durante a temporada 2018/2019 que avaliou a quantidade e a qualidade do sono de seus jovens atletas e sua relação com o estado emocional e desempenho acadêmico. O estudo tomou como amostra 261 jogadores de futebol das categorias inferiores do FC Barcelona. As faixas etárias dos participantes foram estabelecidas com base nos critérios da Fundação Americana do Sono (NSF), sendo divididos em 3 grupos: 88 participantes de 12 a 15 anos e 59 participantes de 16 a 25 anos. Os jovens atletas tiveram que responder a três questionários: SDSC, PANAS e SVS, responsáveis por medir a distribuição do sono, bem-estar e humor. No caso da faixa etária entre 7 e 11 anos, foram preenchidos pelos pais ou responsáveis legais. Os dados coletados pelos três questionários foram complementados com a informação extraída do diário do sono de cada um dos participantes.

 

Relação entre quantidade e qualidade do sono em jovens jogadores de futebol

A quantidade de sono dos jovens jogadores de futebol foi avaliada a partir de diários de sono, que foram preenchidos pelos participantes todas as manhãs depois de se levantarem. Por meio desse diário, foi possível extrair dados como a hora aproximada em que se começa a dormir, o número de insônias noturnas e o momento e o motivo pelo qual estas acontecem. Esse procedimento determinou que o número médio de horas de sono dos participantes é significativamente menor do que o recomendado pela NSF e, por sua vez, que os atletas mais velhos tendem a dormir menos horas do que os atletas mais jovens.

Esses resultados foram compartilhados com os dados extraídos da escala de distribuição do sono (SDSC), utilizados para avaliar a qualidade do sono dos participantes por meio de seu comportamento e seus distúrbios. O questionário consistiu em uma avaliação de 27 itens por meio da escala Likert-5, na qual quanto maior a pontuação indica pior qualidade do sono. A partir dos dados coletados, foi determinado que a qualidade média do sono ultrapassou 39 pontos, o valor limite para o diagnóstico de um distúrbio do sono. Os resultados do SDSC obtidos pelos participantes com mais de 14 anos foram significativamente superiores aos obtidos pelo grupo de 7-11 anos (35,59 pontos). Embora seja verdade que os resultados diferiram ligeiramente em relação aos obtidos nos diários de sono, foi possível corroborar que dormir poucas horas está correlacionado com o empobrecimento da qualidade do sono, sendo mais notável em jogadores de futebol mais velhos.

Resultados de qualidade do sono obtidos a partir do questionário SDSC

Os dados coletados dos diários de sono e do questionário SDSC foram compartilhados com os resultados extraídos dos questionários SVS e PANAS (responsáveis por medir o bem-estar e o humor). Por meio dessa comparação, foi possível determinar que o número de horas de sono e sua qualidade são inversamente proporcionais ao bem-estar dos jovens jogadores de futebol.

Impacto negativo no rendimento acadêmico e esportivo

O que principalmente foi encontrado por meio deste estudo é que jovens jogadores de futebol tendem a dormir menos e têm pior qualidade de sono em relação aos padrões recomendados. A consequência imediata do empobrecimento do repouso é o impacto negativo nos resultados acadêmicos, afetando campos como acuidade mental e habilidades neurocognitivas, fundamentais tanto para o aprendizado quanto para o desempenho.

Por outro lado, a relação entre a qualidade e a quantidade de sono foi definida como fundamental no desenvolvimento físico e mental de jovens jogadores de futebol, principalmente os menores de 18 anos. Apesar de conhecer sua importância, foi possível detectar que os participantes do estudo dormiam menos horas do que o recomendado e sua qualidade de sono, conforme demonstrado pelos questionários do SDSC, era inferior.

Em definitiva, o estudo lançou luz sobre a importância do descanso no rendimento físico e acadêmico em jovens atletas. Dos 261 jogadores de futebol que participaram do estudo, os melhores resultados em termos de qualidade e quantidade de sono foram obtidos por aqueles com melhor desempenho acadêmico.

 

Referência
Ana Merayo, Jose Miguel Gallego, Oscar sans, Lluis Capdevila, Alex Iranzo,
Dai Sugimoto & Gil Rodas (2021): Quantity and quality of sleep in young players of a professional
football club, Science and Medicine in Football, DOI: 10.1080/24733938.2021.1962541

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