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11 February, 2020

A FELICIDADE VERSUS O BEM-ESTAR NO ESPORTE DE ELITE

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Nos esportes de equipe, os treinadores tomam muitas decisões, sendo que, algumas delas apresentam impacto imediato no rendimento de um jogo. Trata-se de escolher os atletas que serão ou não titulares e qual o esquema tático que será empregado ou ainda quais substituições serão necessárias, dependendo do que aconteça durante o jogo. Existem muitas decisões que aparentemente não influenciam diretamente em um jogo, mas acabam por afetar o que acontece em campo ou no gramado. Os técnicos devem decidir, por exemplo, quais os melhores horários para os treinos, o planejamento para cada viagem, quando é necessária uma recuperação após um jogo, qual a dieta mais adequada para antes e depois de um jogo e como lidar com os atletas que não foram convocados.

Em todas estas situações, uma gestão bem elaborada por parte do treinador para cada momento do jogo, adotando as preferências dos atletas, seria fundamental pois melhoraria o relacionamento dentro do vestiário.1,2 Por um lado, existem evidências científicas sólidas de que uma excelente relação melhora o bem-estar dos atletas (wellness).3 Reduzir a fadiga ou melhorar o estado físico dos atletas durante os campeonatos está diretamente relacionado com o desenvolvimento de protocolos de desempenho para os atletas. Entretanto, também é de conhecimento geral que o humor saudável tem uma grande influência no rendimento dos atletas (happiness).4,5,6 Atender às preferências deles no momento que eles mais necessitam, ainda que não seja recomendável, é de grande importância.

Por exemplo: quanto mais os atletas competem mais viagens são realizadas nestes períodos de alta intensidade competitiva, assim, garantir um correto descanso parece ser algo muito importante durante uma temporada, e, sabemos que, a quantidade de horas de sono e a qualidade dela podem ser reduzidas após um jogo7. Descansar um dia antes e outro depois no lugar de destino deve ser uma prática habitual da equipe durante esses deslocamentos. Entretanto, os atletas preferem interromper o ritmo biológico e acelerar o retorno ao lar, mesmo se tiverem que chegar de madrugada ao lugar de origem, justamente para descansarem em seu lar com suas famílias. Um outro exemplo, talvez não seja uma boa ideia a de se criar uma rotina prévia de recuperação pós-jogo depois de se sofrer uma derrota. Pode ser que as consequências de não se fazer o que tínhamos previsto sejam piores que simplesmente retornar ao lar.

 

Assim, é recomendado aos treinadores e todos os membros do corpo técnico dos clubes atuem nestas situações da seguinte forma:

 

  • Criar uma rotina de intervenção recomendável para cada situação, ou seja, como deve ser a dieta antes e depois das reuniões, como deve ser a recuperação após um jogo e qual o melhor momento para se recuperar as lesões…
  • Analisar detalhadamente o contexto antes de tomar uma decisão sobre qual atitude tomar. É melhor seguir as recomendações ou deixar a critério dos atletas? Pois não existem soluções eternas… a atitude depende da compreensão sobre o que é melhor para cada situação, afinal, trabalhamos com pessoas, e, muitas vezes o recomendável é justamente o que se deveria evitar.
  • Apostar em uma posição flexível, pois precisamos nos adaptar ao contexto.
  • Evitar conflitos ao tomar decisões infundadas. Trata-se de não transformar algo sem importância em um problema real, pois não compensa.

 

Talvez acelerar o retorno ao lar, ainda que não recomendável, o que pode acontecer durante uma temporada, onde há muitos dias de recuperação entre os jogos ou em um período que não fosse muito importante. Em outros dias do calendário talvez seja melhor descansar antes de uma viagem de retorno.

 

Afinal, não se trata de ter razão ou de impor ao atletas medidas que atendam exclusivamente às recomendações dirigidas a eles, pois as coisas nem sempre são tão simples assim. O rendimento no gramado ou no campo também depende do que acontece fora destes ambientes. Ter uma equipe contente e satisfeita é o que mais importa. Trata-se de encontrar um equilíbrio entre o que é recomendado e as preferências dos atletas.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

 

Referências

1 Buchheit, M. (2017). Houston, We Still Have a Problem. Int. J. Sports Physiol. Perform. 12, 1111–1114.

2 Calleja-González J, Terrados N, Martín-Acero R, Lago-Peñas C, Jukic I, Mielgo-Ayuso J, Marqués-Jiménez D, Delextrat A and Ostojic S (2018) Happiness vs. Wellness During the Recovery Process in High Performance Sport. Front. Physiol. 9:1598.

3 Kellmann, M. (2010). Preventing overtraining in athletes in high-intensity sports and stress/recovery monitoring. Scand. J. Med. Sci. Sports 20 (Suppl. 2), 95–102

Kimura, D. (2016). Work and life balance “if we are not happy both in work and out of work, we cannot provide happiness to others”. Front. Pediatr. 4, 9.

4 Olsson, L. E., Gärling, T., Ettema, D., Friman, M., and Fujii, S. (2013). Happiness and satisfaction with work commute. Soc. Indicators Res. 111, 255-263.

5 Totterdell, P. (1999). Mood scores: Mood and performance in professional cricketers. Br. J. Psychol. 90, 317–332

6 Fisher, C. D. (2010). Happiness at work. Int. J. Manage. Rev. 12, 384–412

7 Fullagar, H. H., Duffield, R., Skorski, S., White, D., Bloomfield, J., Kolling, S., et al. (2016). sleep, travel, and recovery responses of national footballers during and after long-haul international air travel. Int. J. Sports Physiol. Perform. 11, 86-95.

 

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