19 July, 2019

A FADIGA MENTAL NO FUTEBOL DE ALTO NÍVEL: A IMPORTÂNCIA DAS FÉRIAS

Saúde e Bem-Estar
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O futebol de alto nível implica um estresse muito grande para os jogadores. Na temporada 2018/19, o F.C. Barcelona disputou 60 partidas oficiais, ou seja, um jogo a cada 4,5 dias. Além disso, devem ser somados os encontros amistosos e os que os atletas mais destacados jogam com a seleção de seu país. A cifra supera facilmente 70 duelos por temporada. O número de treinos durante a temporada também é muito importante: podem ser realizadas mais de 250 sessões de preparação. Treina-se e compete-se muito. E sabemos que existe um risco alto de lesão e de fadiga física ao jogar e treinar demasiado. Mas há outro aspecto a ser muito levado em conta. A importância dos jogos faz com que o estresse para os jogadores se multiplique nos últimos meses da temporada. Cada partida é uma final. Existe um risco muito alto de fadiga mental. A fadiga mental pode ser definida como um estado psicobiológico causado por prolongados períodos com uma atividade cognitiva exigente1.

Um recente trabalho de pesquisa sugere que a fatiga mental pode influir negativamente no desempenho dos jogadores de diversas formas2:

  • desvinculação do grupo e dos objetivos
  • diminuição da motivação e do entusiasmo
  • dificuldades para expressar as emoções e retraimento
  • perda da disciplina
  • menor atenção aos detalhes e mudanças na concentração

As causas deste estado estão muito relacionadas com a pressão da mídia e os compromissos que os jogadores têm com ela, a repetição excessiva dos mesmos exercícios ou rotinas de trabalho, a superanálise que os futebolistas fazem de cada partida, rival ou treinamento, o tempo consumido em compromissos de trabalho, a instabilidade do ambiente pessoal ou o tempo que passam pensando em seu esporte. Existe um risco muito alto de sofrer fadiga mental.

Um dado muito relevante sobre a fadiga mental é que ela não se desenvolve só de maneira aguda, mas também se acumula progressivamente no atleta e costuma aparecer em final de temporada. A experiência e a personalidade dos jogadores poderiam atuar como moduladores: os mais jovens podem ser mais suscetíveis a este estado.

Algumas recomendações que os clubes poderiam adotar para evitar ou reduzir esta fadiga mental

Durante as férias: evitar ou eliminar completamente a exposição à mídia, manter uma boa forma esportiva fazendo exercícios ou atividades bem distantes do futebol, levar em conta a recuperação mental no mesmo nível da física, conseguir estabilidade no ambiente do jogador com os amigos e a família e reservar tempo suficiente de descanso antes de começar a temporada.

Durante a temporada: além de manter as medidas anteriores, sugere-se quebrar a rotina de trabalho com tarefas ou atividades que forneçam variabilidade e evitar a excessiva repetição de tarefas.

Para Matveev, a perda da melhor forma física no período transitório é uma condição necessária para alcançar um estado ainda melhor na seguinte temporada. As férias são muito importantes. Devem servir para se desconectar do futebol e das rotinas mantidas durante 10 meses por ano. Evitar ou reduzir a fadiga mental dos jogadores é um dos objetivos das férias. Não se deveria começar a nova temporada sem uma desconexão da anterior.

 

Carlos Lago Peñas

 

Inscreve-se para o Certificado em Psicologia de Alto Rendimento Esportivo

 

Referências

Job, R. e Dalziel, J. (2001). Defining fatigue as a condition of the organism and distinguishing it from habituation, adaptation, and boredom. Em P.A. Hancock (Ed.). Stress, workload, and fatigue. Mahwah, NJ, EUA: Lawrence Erlbaum Associates Publishers.

Russel, S.; Jenkins, D.; Rynne, S.; Halson, S.L. e Kelly, V. (2019). What is mental fatigue in elite sport? Perceptions from athletes and staff. European Journal of Sport Science, em imprensa.

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