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9 April, 2021

A especialização precoce de atletas e a síndrome do esgotamento profissional (Burnout). Uma relação perigosa.

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Nos últimos 15 anos, houve um aumento significativo na especialização esportiva precoce de crianças e jovens.1 Alguns fatores que explicam o desejo dos pais e técnicos de encorajar a escolha de um único esporte por estar relacionado com (i) esperança de oferecer ao jovem atleta vantagens sobre os demais, (ii) obtenção de uma bolsa de estudos ou apoio financeiro, (iii) facilitar sua chegada à elite profissional e; (iv) conseguir um título de “elite” em uma idade tão precoce. Apesar destas vantagens aparentes, algumas pesquisas sugerem que a especialização precoce não leva a terem vantagens competitivas sobre os atletas que praticam muitas modalidades de esportes simultaneamente. 1,2 A especialização precoce pode até conduzir a riscos maiores de abandono ou esgotamento profissional (Síndrome de Burnout).3 Burnout é geralmente definida como uma síndrome cognitivo-afetiva, caracterizada por um estado de fadiga emocional e física, pela perda de desempenho esportivo e pela redução da percepção da capacidade de alcançar o sucesso na tarefa programada.4 Este esgotamento é caracterizado pela falta de energia física e/ou mental para realizar as atividades esportivas no nível normal do atleta, perda de desempenho representada pela diminuição da paixão e do desejo dos atletas em seguirem melhorando e a redução da sensação de sucesso que é caracterizada pela percepção negativa dos atletas sobre seu próprio desempenho para alcançar um bom resultado.5

Em uma recente publicação6 foram analisadas todas as pesquisas feitas até agora com o objetivo de estudar o nível de Burnout em atletas jovens que se especializaram muito cedo em um único esporte em comparação com aqueles atletas que praticam várias especialidades ao mesmo tempo. As conclusões se fundamentam na checagem de 8 artigos de pesquisas que tiveram que atender aos seguintes critérios: publicados em inglês; que Burnout fosse medida mediante questionário de Burnout para atletas (ABQ) e os participantes tinham que ser atletas com idade entre 12 e 19 anos. Além disso, os atletas tinham que ser precisamente classificados como atletas especializados ou não, de acordo com critérios objetivos. No total, 1429 atletas (825 meninos e 529 meninas) com idade média 15,29 anos (faixa de 12,5 a 17,2) atletas de basquete (n=462), futebol (n=368), natação (n=366), atletismo (n=70), vôlei (n=33), tênis (n=11) e judô (n=4) foram analisados. Em duas dessas atividades, o esporte praticado pelos jovens não foi especificado (n=119). Os atletas selecionados pertenciam a academias esportivas regionais e nacionais e, em cinco das pesquisas, inclusive, os atletas pertenciam à academias de excelência.

Os resultados das revisões sugerem conclusões extraordinárias:

  1. Os atletas que se especializaram em um único esporte apresentaram índices superiores de Burnout se comparados com aqueles que praticavam várias especialidades ao mesmo tempo.
  2. Os atletas especializados tiveram uma percepção pessoal de suas próprias capacidades para alcançar o sucesso bem inferior aos atletas que praticavam vários esportes: 1,64 vs. 2,51 (p<0,01) (com uma escala de 1 a 5).
  3. A perda de desempenho também foi pior para atletas especializados se compararmos com atletas que praticam diferentes esportes (1,82 vs. 1,40) (p<0,01).
  4. Finalmente, os atletas especializados em um único esporte apresentaram índices mais elevados de cansaço físico e psicológico se comparado aos atletas que praticam diferentes esportes: 2,44 vs. 1,99 (p<0,01).

Para concluir, a especialização esportiva na adolescência pode estar associada a índices elevados de Burnout nas dimensões de fadiga física e psicológica, perda de desempenho e percepção pessoal de sucesso. Recomendamos evitar a especialização excessiva durante a adolescência, pois pode reduzir os riscos e a gravidade da Síndrome de Burnout. Parece fazer muito sentido, portanto, apostar em programas mais amplos e variados de desenvolvimento de talentos que permitam não apenas a melhoria dos jovens, mas também seu aproveitamento neste processo. Vale lembrar que pouquíssimos jovens atletas que praticam algum tipo de esporte alcançarão o alto nível de rendimento. Por este motivo as experiências vividas em todo este processo devem ser educativas.

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Feeley BT, Agel J, LaPrade RF. When is it too early for single sport specialization? Am J Sports Med. 2016;44(1):234-241.

2 Brenner JS. Sports specialization and intensive training in young athletes. Pediatrics. 2016;138(3).

3 DiFiori JP, Brenner JS, Comstock D, et al. Debunking early single sport specialisation and reshaping the youth sport experience: an NBA perspective. Br J Sports Med. 2017;51:142-143.

4 Raedeke TD, Smith AL. Development and preliminary validation of an athlete burnout measure. J Sport Exerc Psychol. 2001;23(4): 281-306.

5 Gustafsson H, DeFreese JD, Madigan DJ. Athlete burnout: review and recommendations. Curr Opin Psychol. 2017;16:109-113.

6 Giusti NE, Carder, SL, Vopat, L, et al. Comparing burnout in sport-specialing versus sport-sampling adolescent athletes. A systematic review and meta-analysis. Orthop J Sports Med 2010; 8(3).

 

 

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