BIHUB PATH

5 June, 2020

A COOPERAÇÃO ENTRE MÉDICOS E TÉCNICOS, PONTO CRUCIAL NA PREVENÇÃO DE RECAÍDAS DOS ATLETAS DO FUTEBOL

Saúde e Bem-Estar

INSCREVA-SE PARA O CERTIFICADO EM MÉDICO DE EQUIPE – CONCEITOS ESSENCIAIS

entrar
318K

A super profissionalização que o futebol vive atualmente, trouxe consigo mudanças que podem chegar a afetar o rendimento dos atletas. Aumentaram a quantidade de partidas disputadas pelas equipes ao longo de uma temporada, modificaram o planejamento durante as pré-temporadas e, em função das melhorias nas capacidades táticas das equipes, também aumentaram as demandas físicas e mentais que os atletas têm de enfrentar durante as partidas. Por isso, alguns clubes tiveram que se reinventar, incorporando ao seu staff nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos para disponibilizar aos atletas uma preparação o mais completa possível, no intuito de otimizar o desempenho e evitar lesões. As lesões, sobretudo, as musculoesqueléticas, são as principais limitações no desempenho do qualquer atleta. Além disso, um dos graves problemas das lesões musculares são os elevados riscos de recaída. Por exemplo, no caso de lesões nos isquiossurais ou isquiotibiais (uma das mais comuns no futebol), em torno de 13% dos atletas apresentam uma recaída na primeira semana de treinamento com o grupo e cerca de 8% na segunda semana de retorno (Seward & Orchar, 2004).

Um dos fatores que influenciam nessa taxa de reincidência é o nível de cooperação entre os técnicos e o departamento médico. Nestes casos, estabelecer diferentes competências e responsabilidades para a gestão dos atletas lesionados assim como ter protocolos de ação quanto à sua reintegração aos campeonatos torna-se vital, principalmente quando não há consenso nas decisões entre os diferentes membros do staff. No entanto, até o momento, não foram avaliadas a falta de cooperação entre a equipe técnica e o departamento médico como fator de risco em meio a uma recaída em potencial. Desse modo, em um estudo recente (Ghrairi et al., 2019), que contou com a participação do departamento médico do FC Barcelona, foram analisados diferentes níveis de cooperação entre médicos e técnicos de uma equipe de futebol profissional dos Emirados Árabes Unidos, o que realmente pode influenciar sobre a incidência de uma recaída de lesões.

Para isso, 97 atletas foram monitorados durante um total de 15 temporadas. Todos os casos de lesões foram obtidos de prontuários médicos, enquanto que os dados sobre o nível de cooperação identificado entre as equipes médicas e técnicas foram coletados diariamente em uma escala que ia de 1 (pobre) a 3 (excelente). Os resultados demonstraram uma maior incidência de lesões totais (77 vs 61), lesões musculares (32 vs 20) e recaídas (5 vs 1), durante temporadas com um baixo nível de cooperação, se comparado com temporadas que apresentaram níveis de cooperação de normais a excelentes.

Em resumo, estes resultados confirmam que a falta de coordenação entre técnicos e médicos implica um maior risco de recaídas nas equipes de futebol profissional. A cooperação e a comunicação entre técnicos e corpo médico deve ser contínua, especialmente durante a fase de reintegração dos atletas aos treinamentos com o restante do grupo. Durante este período crucial, os atletas devem ser submetidos a um programa de fortalecimento específico, controlado e progressivo para evitar riscos de novas lesões ou recaídas. Portanto, a implementação de programas de prevenção bem como a gestão da fase de reintegração do atleta junto às atividades esportivas normais, requer um alto nível de cooperação entre as equipes médicas e técnicas.

 

 

A equipe Barça Innovation Hub

 

REFERÊNCIAS:

Ghrairi, M., Loney, T., Pruna, R., Malliaropoulos, N., & Valle, X. (2019). Effect of poor cooperation between coaching and medical staff on muscle re-injury in professional football over 15 seasons. Open Access Journal of Sports Medicine, 10, 107-113.

Seward, H., & Orchard, J. (2004). AFL injury report 2003. Sport Health, 22, 7.

 

NOTAS RELACIONADAS

O GRANDE DESCONHECIDO NAS LESÕES MUSCULARES: O TECIDO CONJUNTIVO DA MATRIZ EXTRACELULAR

Um editorial publicado na revista The Orthopaedic Journal of Sports Medicine —em que participaram alguns membros dos serviços médicos do clube— propõe considerar também a arquitetura íntima da zona afetada, ou seja, valorizar a matriz extracelular, como ator fundamental no prognóstico da lesão.

¿VOCÊ QUER SABER MAIS?

  • ASSINAR
  • CONTATO
  • CANDIDATAR-SE

FIQUE ATUALIZADO COM NOSSAS NOVIDADES

Você tem dúvidas sobre o Barça Universitas?

  • Startup
  • Centro de investigação
  • Corporate

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.