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22 May, 2020

A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO EM ESPORTES DE EQUIPE. A PROPOSTA DE PACO SEIRUL·LO

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A chegada da ciência aos treinamentos em esportes de equipe modificou muitas das atuações e rotinas de preparação dos atletas. A quantificação de tudo o que acontece durante os treinamentos é um dos grandes objetivos dos técnicos. Trata-se de medir cargas de trabalho, tempos de recuperação, esforços necessários para conquistar estas adaptações entre outros. Já sabemos que é mais fácil avançar quando podemos medir o estado em que nos encontramos e no que desejamos chegar.

 

Entretanto, é possível que no monitoramento do campeonato e a condição física individual dos atletas estejam acontecendo alguns erros. Ao observar a proposta do professor Seirul lo, fruto de mais de 40 anos de pesquisas, reflexões e práticas com atletas, a avaliação de desempenho em esportes de equipe deveria levar em consideração alguns critérios. 1-6

 

  • A metodologia quantitativa (número de ações positivas e negativas, metros percorridos etc.) devem ser complementados com avaliações qualitativas. A percepção dos atletas sobre a sua própria performance é, porventura, mais importante que o próprio resultado, que é o único realmente é avaliado. Já sabemos que a medição do desempenho em uma atividade constitui apenas um indicativo do que realmente o atleta está fazendo.7
  • Não se podem usar testes gerais como por exemplo, testes de salto ou resistência, para medir o comportamento durante o jogo ou a condição física específica. A classificação exata da performance do atleta durante um jogo deve ser avaliada através de seu desempenho, ou seja, por suas ações específicas em cada partida. Os testes de esforço podem ser úteis, mas não oferecem informações definitivas para que decisões sejam tomadas durante o jogo. Elas permitem medições objetivas de indicadores imprecisos do que a competição necessita. Não se deve organizar treinamentos ou tomar decisões sobre atletas com base em dados tão distantes da realidade competitiva.
  • Para monitorar o treinamento, observações objetivas deverão ser feitas sobre determinadas condições das próprias atividades de treinamento realizadas por esta equipe de atletas, assim como deverão ser consideradas como muito úteis para reconhecer o nível de otimização, conseguido naqueles sistemas que permitem essa realização para cada atleta. Possivelmente não será necessário nenhum outro teste.
  • A condição física dos atletas somente poderá ser conhecida ao observá-los durante os campeonatos. As avaliações sem contexto sobre a situação na que o comportamento do atleta é produzido não são de importância no momento de tomar decisões sobre ele ou sobre o processo em si.
  • Avaliações sobre o comportamento dos atletas dependem do contexto de cada equipe, técnicos, rivais ou épocas de temporada. Primeiramente, é determinar o que desejamos monitorar e, definido um objetivo, verificar a possibilidade de articular as metodologias, programá-las assim como utilizar ou estabelecer os meios tecnológicos necessários. Em seguida vem o treinamento que surge das informações conquistadas durantes esses procedimentos. Se deseja monitorar o desempenho, deverá definir o significado deste conceito e programar as metodologias para este propósito. Cada forma de compreender e definir o jogo determinará os mecanismos de monitoramento mais eficientes. Na sequência, deverá ser elaborada uma estatística destes dados registrados para então se chegar às devidas conclusões.

 

 

As orientações para os treinamentos também deverão ser claras. Para Paco Seirul·lo,1durante os treinamentos deverão ser praticadas a auto-observação e autoavaliação, assim como o momento e a forma de comunicar as observações então realizadas. Estes comentários subjetivos devem ser praticados e confrontados tanto com os do técnico quanto com os de cada atleta e com os demais atletas. Seria extraordinário que também tivesse a participação dos atletas rivais, mas isso ainda é inviável. Se o técnico e os atletas têm esses critérios de observação bem claros, somente falta decidir em qual momento e qual a tecnologia que utilizaremos para cruzar essas informações valiosas que, com toda a segurança, são muito importantes para a otimização do atleta assim como para a sua própria prática, porque somente através do conhecimento racional sobre nossas ações, estamos em vias de poder modificá-las em outras situações e trata-se disso…, por isso consideramos muito válidas essas observações se preencherem os critérios acima indicados”.

 

No caminho do avanço contínuo dos atletas e das equipes, os próprios esportistas devem ser os protagonistas. Ninguém melhor do que eles para saber se há a necessidade de se modificar uma atividade, se o exercício já foi compreendido ou se a explicação foi suficientemente longa. Como sugere Julio Garganta, “cada vez mais é necessário, -desde a formação,– desenvolver uma cultura interna onde o atleta possa se expressar com autonomia e fazer a seguinte afirmação: com esta maneira de jogar ou nesta função tenho mais dificuldades em dar o meu máximo. Não falo de uma cultura abstrata, mas sim de uma cultura esportiva, uma cultura de ensino e treinamento, para que haja uma maior sintonia com o atleta e a percepção de que debaixo de uma camiseta existem pessoas, com crenças e convicções”.

 

Convém recordar um pensamento atribuído a Albert Einstein: Nem tudo o que pode ser contado conta e nem tudo o que conta pode ser contado. Nem mesmo nos esportes de equipe.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Seirul·lo Vargas, F. (2001). Entrevista de Metodologia y Planificación. Training Fútbol.

2 Seirul·lo, F. (2009). Una línea de trabajo distinta. Revista de Entrenamiento Deportivo, 23(4): 13-18.

3 Seirul·lo, F. (1998): Valores educativos del deporte en D. Blázquez (ed): La iniciación deportiva y el deporte escolar (2ª edición), pp. 61-75, Barcelona: INDE.

4 Seirul·lo, F. (1993b): Preparación física aplicada a los deportes de equipo, Colección Cadernos Técnico-Pedagóxicos do INEF de Galicia, A Coruña: Centro Galego de Documentación e Edicións Deportivas.

5 Seirul·lo, F. (2010). Estructura sociafectiva. Documento INEFC – Barcelona. Tomado de: http://www.motricidadhumana.com/estructura_socioafectiva_doc_seirul_lo_Outline_drn.pdf

6 Seirul·lo Vargas, F. (1993). Preparación física aplicada a los deportes de equipo: balonmano. Cuadernos Técnico Pedagógicos de INEF de Galicia nº 7.

7 Durand, (M. (1988). El niño y el deporte. Barcelona: Paidós.

 

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